"Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo, com cara de fome
E eu não tinha nem nome, pra lhe dar
Como fui levando, não sei explicar
Fui assim levando e ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá! (...)
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente, pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço, pra enfiar
Me trouxe uma bolsa, já com tudo dentro:
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí!
(...)
Chega no morro, com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo pra ele chegar, cá no alto
Essa onda de assalto, está um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo, pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai é o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri!
(...)
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais!
O guri no mato, acho que 'tá rindo'
Acho que 'tá lindo, de papo pro ar!'
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá!"
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