Brasília, 11 de outubro de 2012
"Nós, Carlos Frederico Bastos Peres da Silva e Fabrício Araújo Prado,
viemos registrar nossa indignação com o tratamento que recebemos da
equipe de segurança do Supremo Tribunal Federal.
O senhor Carlos Frederico dirigiu-se, por volta das 14 horas do dia
10 de outubro, ao Supremo Tribunal Federal, a fim de assistir à eleição
dos novos presidente e vice-presidente da Egrégia Corte. Ao chegar ao
Tribunal, passou pelo detector de metais, sem que houvesse nenhuma
anormalidade, e seguiu em direção à mesa de identificação e registro do
público, a qual dá acesso ao salão plenário. Ao entregar sua identidade
funcional de diplomata, foi informado, pela atendente, de que havia um
problema no sistema eletrônico de identificação. Ato contínuo, um
segurança aproximou-se e reiterou que o sistema de registro havia
sofrido pane, razão pela qual não seria possível autorizar a entrada do
Senhor Carlos Frederico à plenária.
Causou estranheza que ele tenha sido o único visitante a ser afetado
pela pane, uma vez que diversas outras pessoas, brasileiras e
estrangeiras, entraram no salão sem empecilho algum.
Diante da demora em ver o problema resolvido, o senhor Carlos
Frederico reiterou a pergunta ao segurança sobre o que estava
acontecendo. O segurança repetiu o argumento da pane do sistema e
conduziu o senhor Carlos Frederico até a saída do STF, pedindo que ele
aguardasse lá, enquanto o problema estava sendo resolvido.
Por volta das 14:10 horas, o senhor Fabrício Prado chegou ao STF para
encontrar-se com o senhor Carlos Frederico (ambos diplomatas e colegas
de trabalho). Ao ver seu colega do lado de fora, o senhor Fabrício Prado
perguntou a um segurança que se encontrava na entrada se haveria algum
problema. O mesmo segurança esclareceu que a situação já estaria sendo
resolvida e que o senhor Fabrício Prado poderia passar pelo detector de
metais e proceder à identificação. Assim o fez. Ao chegar à mesa de
identificação, foi comunicado pela atendente que, também no seu caso,
havia um problema no sistema. Logo depois, o senhor Carlos Frederico foi
novamente conduzido por outro segurança (não o senhor Juraci) à mesa de
registro e lá se juntou ao senhor Fabrício, enquanto aguardavam pela
solução da 'pane'. Passado algum tempo, durante o qual outras pessoas se
identificaram e entraram no salão plenário, o segurança Juraci fez
ligação telefônica e informou que a entrada havia sido autorizada.
Questionado sobre a razão do problema, mencionou 'razões internas de
segurança'.
Já dentro da plenária, tivemos a oportunidade de conversar com o
chefe da segurança, salvo engano, chamado Cadra. Ele explicou que as
restrições à entrada remontavam à nossa primeira visita ao salão
plenário ao Supremo Tribunal Federal, no dia 3 de outubro. Não entrou em
maiores detalhes, mas disse que teríamos demonstrado comportamento
suspeito naquela ocasião. No dia 3 de outubro, chegamos juntos ao STF,
de ônibus, e passamos por três controles de segurança do STF, a saber: o
externo, localizado na Praça dos Três Poderes (a cerca de 10 a 20
metros de distância do ponto de ônibus); o de metais, na entrada do
Palácio do STF; e o interno, na mesa de identificação e registro do
público geral. Assistimos a parte da sessão de julgamento da Ação Penal
470 e saímos separados.
Ao final da eleição do dia 10 de outubro, deixamos o STF e retornamos
ao Ministério das Relações Exteriores. Inconformados com o tratamento
constrangedor e sem entender o fundamento da alegação de 'comportamento
suspeito', retornamos ao STF, por volta das 16:45 horas, em busca de
esclarecimentos. Fomos, então, recebidos pelo Secretário de Segurança
Institucional do STF, o senhor José Fernando Nunez Martinez, em seu
gabinete. Este último esclareceu que estava ciente de nosso caso desde a
primeira visita ao STF, no dia 3 de outubro, ocasião na qual teríamos
sido classificados como 'dupla de comportamento suspeito'.
No dia 3 de outubro, a 'suspeição' teria sido registrada em nossos
cadastros pessoais do sistema de segurança da Corte, disse o senhor
Martinez. Esclareceu que, ao retirar o senhor Carlos Frederico das
dependências do STF, o senhor Juraci teria desobedecido a suas ordem
diretas, as quais determinariam que ninguém poderia ser retirado
daquelas dependências sem aval da chefia de segurança. O senhor Martinez
afirmou, ainda, que o assunto deveria ter sido conduzido de outra
maneira. Disse, literalmente, que a equipe de segurança teria visto 'fantasmas', os quais teriam crescido ao longo do tempo e provocado o
incidente do dia 10 de outubro.
Não satisfeitos com a explicação oferecida pelo Secretário de
Segurança, perguntamos qual teria sido o 'comportamento suspeito' de
nossa parte. Após ressalvar que esse é um julgamento subjetivo dos
agentes de segurança e que não teria sido ele próprio a formar esse
juízo, enumerou os supostos motivos que lhe foram relatados pela equipe
de segurança:
1- Que nós teríamos aparência 'muito jovem' para ser diplomatas.
Registre-se, aqui, que o senhor Carlos Frederico tem 45 anos e que o
senhor Fabrício Prado tem 31 anos de idade, como atestam as carteiras de
identidade emitidas pelo Ministério das Relações Exteriores,
apresentadas à mesa de identificação já no dia 3 de outubro.
2- Que os seguranças suspeitaram da veracidade dos documentos de identidade apresentados.
3- Que, na saída da sessão do dia 3 de outubro, as suspeitas teriam
sido reforçadas por termos, supostamente, saído 'juntos' do STF, 'com o
passo acelerado', comportamento interpretado como tentativa de despistar
os seguranças que nos seguiam.
Cumpre esclarecer que, no dia 3 de outubro, deixamos o STF em
momentos distintos, o que não condiz com o relato que, segundo o
Secretário de Segurança, lhe teria sido feito por sua equipe. Além
disso, nunca nos demos conta de que estávamos sendo seguidos nem
apressamos passo algum. Todas estas revelações nos causaram desconforto
ainda maior com relação aos incidentes.
Perguntado se o incidente teria relação com o fato de sermos
afrodescendentes, negou veementemente que o comportamento da equipe de
segurança tivesse tais motivações. Também pediu desculpas em nome de sua
equipe pela sucessão de incidentes.
Diante da gravidade dos fatos relatados, manifestamos nossa
indignação com os injustificados constrangimentos aos quais fomos
submetidos, a saber: registro no cadastro de entrada como 'suspeitos';
remoção temporária do Senhor Carlos Frederico das dependências do STF;
obstruções a nossa entrada na plenária; e perseguição por seguranças
após nossa saída do STF.
Sentimos-nos discriminados pelo tratamento recebido - e no caso do
Senhor Carlos Frederico, profundamente humilhado por ter sido retirado
do STF no dia 10 de outubro.
Dada a natureza 'kafkiana' dos incidentes, as explicações
insuficientes e desprovidas de qualquer lógica razoável prestadas pela
Secretaria de Segurança Institucional não nos satisfazem, razão pela
qual não nos furtaremos a adotar as medidas cabíveis para fazer valer
nossos direitos.
Não poderíamos deixar de expressar nossa tristeza com o fato de
termos sido submetidos a tal constrangimento na data da eleição do
primeiro negro a assumir a Presidência do Supremo Tribunal Federal, pelo
qual temos profundo respeito e admiração."
Atenciosamente,
Carlos Frederico Peres Bastos da Silva
Fabrício Araújo Prado
(Publicada pelo Folha de São Paulo)
UM ESPAÇO PARA O DEBATE (SADIO), SOBRE A CULTURA NORDESTINA. (85) 985863910 (Fortaleza) - coreausiara@yahoo.com.br
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sexta-feira, outubro 12, 2012
QUE VERGONHA!
"Dois diplomatas negros, amigos do ministro Joaquim Barbosa, foram barrados pela segurança da Corte na quarta (10), dia em que o magistrado foi eleito presidente do tribunal. Uma semana antes, ao comparecer a outra sessão, eles já tinham sido seguidos por policiais, ao deixarem o prédio do Supremo. (...). Desconfiados de racismo, os diplomatas pediram explicações ao secretário de segurança institucional do STF, José Fernando Martinez. Ele disse que, ao comparecerem ao STF uma semana antes, os dois tinham tido comportamento 'suspeito'. E acabaram fichados nos computadores da corte."
(Do Facebook do sociólogo e professor Pedro Albuquerque)
DECLARAÇÃO DE AMOR
"Sou feliz! Faço o que eu gosto de verdade! Nasci para ser Professora! Tava escrito nas estrelas!!!"
(Luciana Banhos, Fortaleza)
(Luciana Banhos, Fortaleza)
TEXTO LONGO, PORÉM, NECESSÁRIO!
Divulguem a teoria política do Supremo
Wanderley Guilherme dos Santos
"Diante de um Legislativo pusilânime, Odoricos Paraguassus sem voto revelam em dialeto de péssimo gosto e falsa cultura a raiva com que se vingam, intérpretes dos que pensam como eles, das sucessivas derrotas democráticas e do sucesso inaugural dos governos enraizados nas populações pobres ou solidárias destes. Usando de dogmática impune, celebram a recém descoberta da integridade de notório negocista, confesso sequestrador de recursos destinados a seu partido, avaliam as coalizões eleitorais ou parlamentares como operações de Fernandinhos Beira-mar, assemelhadas às de outros traficantes e assassinos e suas quadrilhas. Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza. Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência. O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.
Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se. Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem, divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democráticamente. É a fama que merece."
Wanderley Guilherme dos Santos
"Diante de um Legislativo pusilânime, Odoricos Paraguassus sem voto revelam em dialeto de péssimo gosto e falsa cultura a raiva com que se vingam, intérpretes dos que pensam como eles, das sucessivas derrotas democráticas e do sucesso inaugural dos governos enraizados nas populações pobres ou solidárias destes. Usando de dogmática impune, celebram a recém descoberta da integridade de notório negocista, confesso sequestrador de recursos destinados a seu partido, avaliam as coalizões eleitorais ou parlamentares como operações de Fernandinhos Beira-mar, assemelhadas às de outros traficantes e assassinos e suas quadrilhas. Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza. Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência. O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.
Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se. Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem, divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democráticamente. É a fama que merece."
A QUEM APLAUDEM
"Depois
de darem Nobel da Paz para um presidente (Obama) que faz guerras,
invade países e mata gente, agora foi a vez da União Europeia ganhar o seu -
um bloco econômico que vive uma tremenda crise econômica e impoe aos
pobres da Europa medidas recessivas, levando pais de família ao
desespero e não poucos ao suicídio... Não se fazem mais ganhadores do
Nobel como antes!"
A Espetacularização e a Ideologização do Judiciário
Leonardo Boff
É com muita tristeza que escrevo este artigo no final da tarde desta quarta-feira, após acompanhar as falas dos ministros do Superemo Tribunal Federal. Para não me aborrecer com e-mails rancorosos, vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470, sob julgamento no STF. Se malfeitos foram comprovados, eles merecem as penas cominadas pelo Código Penal. O rigor da lei se aplica a todos. Outra coisa, entretanto, é a espetacularização do julgamento transmitido pela TV. Aí é ineludível a feira das vaidades e o vezo ideológico que perpassa a maioria dos discursos.
Desde A Ideologia Alemã, de Marx/Engels (1846), até o Conhecimento e Interesse, de J. Habermas (1968 e 1973), sabemos que por detrás de todo conhecimento e de toda prática humana age uma ideologia latente. Resumidamente, podemos dizer que a ideologia é o discurso do interesse. E todo conhecimento, mesmo o que pretende ser o mais objetivo possível, vem impregnado de interesses.
Pois, assim é a condição humana. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. E todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Isso é inescapável. Cabe analisar política e eticamente o tipo de interesse, a quem beneficia e a que grupos serve e que projeto de Brasil tem em mente. Como entra o povo nisso tudo? Ele continua invisível e até desprezível? A ideologia pertence ao mundo do escondido e do implícito. Mas há vários métodos que foram desenvolvidos, coisa que exercitei anos a fio com meus alunos de epistemologia em Petrópolis, para desmascarar a ideologia. O mais simples e direto é observar a adjetivação ou a qualificação que se aplica aos conceitos básicos do discurso, especialmente, das condenações.
Em alguns discursos, como os do ministro Celso de Mello, o ideológico é gritante, até no tom da voz utilizada. Cito apenas algumas qualificações ouvidas no plenário: o mensalão seria "um projeto ideológico-partidário de inspiração patrimonialista”, um “assalto criminoso à administração pública”, “uma quadrilha de ladrões de beira de estrada” e um “bando criminoso”. Tem-se a impressão de que as lideranças do PT e até ministros não faziam outra coisa que arquitetar roubos e aliciamento de deputados, em vez de se ocuparem com os problemas de um país tão complexo como o Brasil.
Qual o interesse, escondido por detrás de doutas argumentações jurídicas? Como já foi apontado por analistas renomados do calibre de Wanderley Guilherme dos Santos, revela-se aí certo preconceito contra políticos vindos do campo popular. Mais ainda: visa-se a aniquilar toda a possível credibilidade do PT, como partido que vem de fora da tradição elitista de nossa política; procura-se indiretamente atingir seu líder carismático maior, Lula, sobrevivente da grande tribulação do povo brasileiro e o primeiro presidente operário, com uma inteligência assombrosa e habilidade política inegável. A ideologia que perpassa os principais pronunciamentos dos ministros do STF parece eco da voz de outros, da grande imprensa empresarial que nunca aceitou que Lula chegasse ao Planalto. Seu destino e condenação é a Planície. No Planalto poderia penetrar como faxineiro e limpador dos banheiros. Mas nunca como presidente.
Ouvem-se no plenário ecos vindos da Casa Grande, que gostaria de manter a Senzala sempre submissa e silenciosa. Dificilmente, se tolera que através do PT os lascados e invisíveis começaram a discutir política e a sonhar com a reinvenção de um Brasil diferente. Tolera-se um pobre ignorante e mantido politicamente na ignorância. Tem-se verdadeiro pavor de um pobre que pensa e que fala. Pois, Lula e outros líderes populares ou convertidos à causa popular como João Pedro Stedile, começaram a falar e a implementar políticas sociais que permitiram uma Argentina inteira ser inserida na sociedade dos cidadãos.
Essa causa não pode estar sob juízo. Ela representa o sonho maior dos que foram sempre destituídos. A Justiça precisa tomar a sério esse anseio a preço de se desmoralizar, consagrando um status quo que nos faz passar internacionalmente vergonha. Justiça é sempre a justa medida, o equilíbrio entre o mais e o menos, a virtude que perpassa todas as virtudes (“a luminossísima estrela matutina” de Aristóteles). Estimo que o STF não conseguiu manter a justa medida. Ele deve honrar essa justiça-mor que encerra todas as virtudes da polis, da sociedade organizada. Então, sim, se fará justiça neste País.
(Colaboração: Eliton Meneses - engenheiro)
É com muita tristeza que escrevo este artigo no final da tarde desta quarta-feira, após acompanhar as falas dos ministros do Superemo Tribunal Federal. Para não me aborrecer com e-mails rancorosos, vou logo dizendo que não estou defendendo a corrupção de políticos do PT e da base aliada, objeto da Ação Penal 470, sob julgamento no STF. Se malfeitos foram comprovados, eles merecem as penas cominadas pelo Código Penal. O rigor da lei se aplica a todos. Outra coisa, entretanto, é a espetacularização do julgamento transmitido pela TV. Aí é ineludível a feira das vaidades e o vezo ideológico que perpassa a maioria dos discursos.
Desde A Ideologia Alemã, de Marx/Engels (1846), até o Conhecimento e Interesse, de J. Habermas (1968 e 1973), sabemos que por detrás de todo conhecimento e de toda prática humana age uma ideologia latente. Resumidamente, podemos dizer que a ideologia é o discurso do interesse. E todo conhecimento, mesmo o que pretende ser o mais objetivo possível, vem impregnado de interesses.
Pois, assim é a condição humana. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. E todo o ponto de vista é a vista de um ponto. Isso é inescapável. Cabe analisar política e eticamente o tipo de interesse, a quem beneficia e a que grupos serve e que projeto de Brasil tem em mente. Como entra o povo nisso tudo? Ele continua invisível e até desprezível? A ideologia pertence ao mundo do escondido e do implícito. Mas há vários métodos que foram desenvolvidos, coisa que exercitei anos a fio com meus alunos de epistemologia em Petrópolis, para desmascarar a ideologia. O mais simples e direto é observar a adjetivação ou a qualificação que se aplica aos conceitos básicos do discurso, especialmente, das condenações.
Em alguns discursos, como os do ministro Celso de Mello, o ideológico é gritante, até no tom da voz utilizada. Cito apenas algumas qualificações ouvidas no plenário: o mensalão seria "um projeto ideológico-partidário de inspiração patrimonialista”, um “assalto criminoso à administração pública”, “uma quadrilha de ladrões de beira de estrada” e um “bando criminoso”. Tem-se a impressão de que as lideranças do PT e até ministros não faziam outra coisa que arquitetar roubos e aliciamento de deputados, em vez de se ocuparem com os problemas de um país tão complexo como o Brasil.
Qual o interesse, escondido por detrás de doutas argumentações jurídicas? Como já foi apontado por analistas renomados do calibre de Wanderley Guilherme dos Santos, revela-se aí certo preconceito contra políticos vindos do campo popular. Mais ainda: visa-se a aniquilar toda a possível credibilidade do PT, como partido que vem de fora da tradição elitista de nossa política; procura-se indiretamente atingir seu líder carismático maior, Lula, sobrevivente da grande tribulação do povo brasileiro e o primeiro presidente operário, com uma inteligência assombrosa e habilidade política inegável. A ideologia que perpassa os principais pronunciamentos dos ministros do STF parece eco da voz de outros, da grande imprensa empresarial que nunca aceitou que Lula chegasse ao Planalto. Seu destino e condenação é a Planície. No Planalto poderia penetrar como faxineiro e limpador dos banheiros. Mas nunca como presidente.
Ouvem-se no plenário ecos vindos da Casa Grande, que gostaria de manter a Senzala sempre submissa e silenciosa. Dificilmente, se tolera que através do PT os lascados e invisíveis começaram a discutir política e a sonhar com a reinvenção de um Brasil diferente. Tolera-se um pobre ignorante e mantido politicamente na ignorância. Tem-se verdadeiro pavor de um pobre que pensa e que fala. Pois, Lula e outros líderes populares ou convertidos à causa popular como João Pedro Stedile, começaram a falar e a implementar políticas sociais que permitiram uma Argentina inteira ser inserida na sociedade dos cidadãos.
Essa causa não pode estar sob juízo. Ela representa o sonho maior dos que foram sempre destituídos. A Justiça precisa tomar a sério esse anseio a preço de se desmoralizar, consagrando um status quo que nos faz passar internacionalmente vergonha. Justiça é sempre a justa medida, o equilíbrio entre o mais e o menos, a virtude que perpassa todas as virtudes (“a luminossísima estrela matutina” de Aristóteles). Estimo que o STF não conseguiu manter a justa medida. Ele deve honrar essa justiça-mor que encerra todas as virtudes da polis, da sociedade organizada. Então, sim, se fará justiça neste País.
(Colaboração: Eliton Meneses - engenheiro)
ALÔ, COREAÚ!
Quem vai cuidar da tua educação, da tua saúde, do teu alcoolismo e teus jovens, mergulhados na droga, no infortúnio, no desencanto e na ninguenização!? Alguém já pensou nisso!?
QUE FIQUE CLARO!
Nenhum prefeito eleito vai realizar uma boa administração se não desmontar patotas e curriolas (a velharia!) históricas! Se for preciso, terá que dar um murro na mesa e berrar um: - Isso, não! Ou será mais um medíocre prefeitinho no rol patético da História!
Resposta à revista Veja sobre Eric Hobsbawm, um dos maiores intelectuais do século XX
"No dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI.
Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill, liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista.
Mas Hobsbawm não foi apenas um 'acadêmico', no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do 'intelectual' como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado.
Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.
'IDIOTA MORAL'
Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de 'idiota moral' (cf. o texto 'A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm', publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.
A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto 'historiador esquerdista', dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a 'análise' acerca do falecido historiador.
Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada."
Diretoria da Associação Nacional de História
http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=49817
(O Blogue retirou este texto do Facebook do colega Manuel de Jesus)
OS ENCANTOS DA CASA-GRANDE!
Partido político adora um colinho de governo. E a gente sabe BEM porque...
A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM!
"O presidente regional do PDT, André Figueiredo, deverá anunciar, em
coletiva, a partir das 9 horas, na sede partidária, apoio da legenda ao
candidato a prefeito de Fortaleza pelo PSB, Roberto Cláudio.
Sem surpresas e sem Heitor Férrer, postulante derrotado. (...)."
(Blogue do Eliomar)
Sem surpresas e sem Heitor Férrer, postulante derrotado. (...)."
(Blogue do Eliomar)
quinta-feira, outubro 11, 2012
Nota de José Dirceu sobre a condenação infame de que foi
alvo
AO POVO BRASILEIRO
No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver."
Vinhedo, 09 de outubro de 2012.
José Dirceu (reproduzida por Eduardo Gumarães)
Não calarão José Dirceu

9 de outubro de 2012 ficará registrado na história do país como o dia infame em que um seu cidadão foi condenado politicamente pela mais alta instância do Judiciário brasileiro, por um tribunal que deveria tê-lo julgado por critérios estritamente técnicos.
Até as condenações de certos membros do dito “núcleo político” da Ação Penal 470 ainda se podia buscar algum resguardo factual em “atos de ofício”, ainda que “tênues”, como diria o procurador-geral da República. No caso de José Dirceu, porém, não há condenação técnica possível.
Contra Dirceu não há contratos assinados, não há saque de dinheiro, não há nada além do testemunho de seu maior inimigo, uma operação imobiliária regular feita por sua ex-esposa e um emprego que ela conseguiu.
É possível uma dúvida razoável sobre o inimigo de Dirceu ter mentido e sobre sua mulher ter conseguido um empréstimo e um emprego sem interferência dele? Duvido que até os juízes que o condenaram neguem que essa dúvida existe.
Na dúvida, o Direito Universal exige que os tribunais decidam a favor dos réus. No caso de Dirceu, essa dúvida é muito maior do que para os outros condenados.
Jamais o STF usou para um político critério sequer parecido com os que foram inaugurados para Dirceu acima de qualquer outro réu daquela Ação Penal. A condenação dele, entenda-se, foi uma exceção à norma daquele Colegiado.
O Tribunal de Exceção que condenou Dirceu deixou clara a sua natureza ao dar tratamento diverso à ação penal correlata àquela em que o ex-ministro foi julgado, mas que envolve o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo.
Durante anos, Dirceu não desfrutou, nem por um segundo, do benefício constitucional de presunção da inocência. É tratado como condenado desde 2005, quando sua pena começou a ser cumprida oficiosamente.
Os juízes de Dirceu foram devidamente pressionados, intimidados com ataques da mídia, quando não se submeteram, e subornados com exposição positiva quando obedeceram aos ditames midiáticos.
E, se faltasse alguma prova da manipulação desse julgamento pela mídia em favor de partidos de oposição ao governo federal do PT, declarações da acusação a Dirceu e dos juízes que o condenaram confessaram o objetivo político do processo, tal como veio sendo conduzido.
Neste momento, boa parcela da classe política já se deu conta do que essa politização da Suprema Corte de Justiça do país representa para a democracia. Quando grupos de pressão se apropriam do Judiciário, ninguém mais está a salvo de julgamentos de exceção.
O Brasil verá a manipulação vergonhosa que foi esse julgamento quando o STF julgar – ou quando não julgar, por prescrição – o mensalão do PSDB. E, mais adiante, quando for julgar – ou não – a ação que será proposta contra o governador Marconi Perillo pela CPI do Cachoeira.
Pelos critérios que o STF usou para Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e João Paulo Cunha, o ex-presidente do PSDB e hoje senador Eduardo Azeredo e o governador de Goiás, Marconi Perillo, terão que ser condenados. Até porque, contra eles há muito mais do que “domínio de fato”.
Alguém acredita que isso ocorrerá? E, se ocorresse, alguém ficaria sabendo sem ler a blogosfera e as redes sociais? A mídia faria versão explicativa para crianças via história em quadrinhos? O Jornal Nacional gastaria até metade da duração de suas edições para acusar os tucanos?
Vão esperando sentados que de pé cansa.
É nesse contexto que a nota que recebi da assessoria do ex-ministro José Dirceu, e que reproduzo ao fim deste post, constitui um alento. Nela, ele promete que não conseguirão calá-lo com essa condenação infame.
É disso que o Brasil precisa, de forma que quero registrar meu apoio e solidariedade ao ex-ministro. Conto com a força desse homem que já desafiou uma ditadura bem pior do que a do STF, uma ditadura que não assassinava só a honra dos seus inimigos.
Conte comigo, Zé, enquanto você lutar para que o Brasil, um dia, tenha, entre tudo mais que lhe falta, um Judiciário que trate a todos de acordo com critérios rotineiros, não usando exceções nem para amigos, nem para inimigos políticos.
Fecho o texto com uma curiosidade: 9 de outubro é o dia em que Che Guevara foi assassinado.
Eduardo Guimarães
9 de outubro de 2012 ficará registrado na história do país como o dia infame em que um seu cidadão foi condenado politicamente pela mais alta instância do Judiciário brasileiro, por um tribunal que deveria tê-lo julgado por critérios estritamente técnicos.
Até as condenações de certos membros do dito “núcleo político” da Ação Penal 470 ainda se podia buscar algum resguardo factual em “atos de ofício”, ainda que “tênues”, como diria o procurador-geral da República. No caso de José Dirceu, porém, não há condenação técnica possível.
Contra Dirceu não há contratos assinados, não há saque de dinheiro, não há nada além do testemunho de seu maior inimigo, uma operação imobiliária regular feita por sua ex-esposa e um emprego que ela conseguiu.
É possível uma dúvida razoável sobre o inimigo de Dirceu ter mentido e sobre sua mulher ter conseguido um empréstimo e um emprego sem interferência dele? Duvido que até os juízes que o condenaram neguem que essa dúvida existe.
Na dúvida, o Direito Universal exige que os tribunais decidam a favor dos réus. No caso de Dirceu, essa dúvida é muito maior do que para os outros condenados.
Jamais o STF usou para um político critério sequer parecido com os que foram inaugurados para Dirceu acima de qualquer outro réu daquela Ação Penal. A condenação dele, entenda-se, foi uma exceção à norma daquele Colegiado.
O Tribunal de Exceção que condenou Dirceu deixou clara a sua natureza ao dar tratamento diverso à ação penal correlata àquela em que o ex-ministro foi julgado, mas que envolve o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo.
Durante anos, Dirceu não desfrutou, nem por um segundo, do benefício constitucional de presunção da inocência. É tratado como condenado desde 2005, quando sua pena começou a ser cumprida oficiosamente.
Os juízes de Dirceu foram devidamente pressionados, intimidados com ataques da mídia, quando não se submeteram, e subornados com exposição positiva quando obedeceram aos ditames midiáticos.
E, se faltasse alguma prova da manipulação desse julgamento pela mídia em favor de partidos de oposição ao governo federal do PT, declarações da acusação a Dirceu e dos juízes que o condenaram confessaram o objetivo político do processo, tal como veio sendo conduzido.
Neste momento, boa parcela da classe política já se deu conta do que essa politização da Suprema Corte de Justiça do país representa para a democracia. Quando grupos de pressão se apropriam do Judiciário, ninguém mais está a salvo de julgamentos de exceção.
O Brasil verá a manipulação vergonhosa que foi esse julgamento quando o STF julgar – ou quando não julgar, por prescrição – o mensalão do PSDB. E, mais adiante, quando for julgar – ou não – a ação que será proposta contra o governador Marconi Perillo pela CPI do Cachoeira.
Pelos critérios que o STF usou para Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e João Paulo Cunha, o ex-presidente do PSDB e hoje senador Eduardo Azeredo e o governador de Goiás, Marconi Perillo, terão que ser condenados. Até porque, contra eles há muito mais do que “domínio de fato”.
Alguém acredita que isso ocorrerá? E, se ocorresse, alguém ficaria sabendo sem ler a blogosfera e as redes sociais? A mídia faria versão explicativa para crianças via história em quadrinhos? O Jornal Nacional gastaria até metade da duração de suas edições para acusar os tucanos?
Vão esperando sentados que de pé cansa.
É nesse contexto que a nota que recebi da assessoria do ex-ministro José Dirceu, e que reproduzo ao fim deste post, constitui um alento. Nela, ele promete que não conseguirão calá-lo com essa condenação infame.
É disso que o Brasil precisa, de forma que quero registrar meu apoio e solidariedade ao ex-ministro. Conto com a força desse homem que já desafiou uma ditadura bem pior do que a do STF, uma ditadura que não assassinava só a honra dos seus inimigos.
Conte comigo, Zé, enquanto você lutar para que o Brasil, um dia, tenha, entre tudo mais que lhe falta, um Judiciário que trate a todos de acordo com critérios rotineiros, não usando exceções nem para amigos, nem para inimigos políticos.
Fecho o texto com uma curiosidade: 9 de outubro é o dia em que Che Guevara foi assassinado.
Eduardo Guimarães
(Colaboração: Eliton Meneses - engenheiro)
A "VERDADE" DOS ATOS
"Hoje, li a carta da
filha do cidadão cearense José Genoíno.
Ela procura mostrar a trajetória de luta do seu pai por um Brasil de todos.
Seria de bom alvitre que todos a lessem, para ter um juízo de valor sobre esse
sertanejo cearense. E, quem sabe, compreender toda a aflição da sua família, ao
temer a volta do patriarca ao 'cárcere' e ver sua imagem ser 'posta em xeque',
perante a população.
Reconheço como foi difícil
sair do interior do sertão de Quixeramobim até subir a rampa do Palácio da
Alvorada. Mas, não estamos aqui julgando o passado do político aguerrido, e sim,
o uso indevido do erário público, em detrimento da governabilidade. Pergunto: se
os projetos eram de interesse da população por que tinham que pagar para serem
aprovados? Foi divulgado que a 'trama' era arquitetada no Palácio da Alvorada. Então,
porque o 'chefe-mor' não está sendo julgado também?
O cenário político brasileiro
é composto por vários partidos. Há tempos atrás, o PSDB era como a 'Genir' (da canção
do Chico Buarque) em que todos jogavam pedras... Todos os partidos da esquerda
brasileira atiravam pedras no PSDB, então partido de posição. Hoje temos uma
inversão de valores, ou melhor, não existem valores partidários. O que temos
são valores individuais dentro dos partidos.
Parece-me, que a corrupção brasileira está tão presente
e comum que parece institucionalizada. Em todos os segmentos existe este vírus.
Por incrível que pareça, uma parte da população brasileira fomenta esta prática
delituosa, ao fazer escolhas eleitorais através de 'donativos'. Assim,
credencia cada vez mais estes 'mensaleiros', fazendo a girar a roda da corrupção.
Na vida não existem
culpados ou inocentes. Somos todos pertencentes a uma célula da sociedade que
busca incansavelmente um melhor lugar ao sol. E para disputar este espaço
muitas vezes nos deixamos levar pelo egoísmo, privilégios, favoritismos ou
favores...
Importante saber! 'A maior cegueira, muitas
vezes, é não querer enxergar a verdade dos fatos'. Seja por motivos fúteis,
desconhecimento ou simplesmente por total envolvimento emocional."
Carlos Teles
UM IMPÉRIO EM APUROS II
A versão do Jangadeiro Online:
"Uma operação deflagrada pela Políia Civil em parceria com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPE) cumpriu mandados de busca e apreensão no prédio da Prefeitura Municipal de Sobral, na manhã desta quarta-feira (10). Segundo o MPE, o objetivo era investigar irregularidades nos contratos de licitação com cinco construtoras, para realização de obras em diversos setores.
Gestão
A operação se concentrou no 4º andar do prédio da prefeitura, onde está localizada a Secretaria de Gestão. (...)."
"Uma operação deflagrada pela Políia Civil em parceria com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPE) cumpriu mandados de busca e apreensão no prédio da Prefeitura Municipal de Sobral, na manhã desta quarta-feira (10). Segundo o MPE, o objetivo era investigar irregularidades nos contratos de licitação com cinco construtoras, para realização de obras em diversos setores.
Gestão
A operação se concentrou no 4º andar do prédio da prefeitura, onde está localizada a Secretaria de Gestão. (...)."
UM IMPÉRIO EM APUROS!
"Operação do Ministério Público, com apoio das
polícias Civil e Militar, cumpriu, na manhã desta quarta-feira, 10,
mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Sobral, no Serviço de
Água e Esgoto (Saae) de Sobral e em empresas que mantém contratos com o Município.
A ação é parte de investigação de
esquema de empresas de fachada que manteriam contratos com a Saae. Os
mandados foram concedidos pelo juiz Francisco Cavalcante Neto, da 1ª
Vara Criminal de Sobral. O magistrado determinou ainda que o Banco
Central bloqueie as contas das empresas envolvidas.
De
acordo com o Ministério Público, as empresas seriam de fachada e
cometiam fraudes por meio de simulações de concorrência em licitações.
Embora aparentemente houvesse várias concorrentes, na prática, a
vencedora integrava sempre o mesmo grupo. Durante o cumprimento dos
mandados de busca e apreensão, foram encontrados no mesmo local carimbos
de diversas empresas, além de notas fiscais e recibos. As cifras seriam
superiores a R$ 1 milhão. A participação de funcionários da Prefeitura
ainda é investigada. (...)."
(O POVO)
A ELEIÇÃO. A FARSA!
"Sabe quem tirou o 1º lugar nas eleições em Fortaleza? As abstenções + nulos e brancos, com 361 mil eleitores.
Parabéns ao envolvidos que muito contribuiram para o descrédito em eleições e para a apatia da população."
(Andréia Saraiva, Professora de História)
Parabéns ao envolvidos que muito contribuiram para o descrédito em eleições e para a apatia da população."
SE NOSSA POLÍTICA ANDA TÃO MAL...
... O que dizer do jornalismo!? Os ladrões do lado dele são santificados!
CINEMA NA PRAÇA
Com o advento do data-show e de toda a tecnologia existente hoje em dia, quanto custa pra uma prefeitura levar pras praças os melhores filmes do mundo!? E isso também é Educação! Aliás, as secretarias de Educação e Cultura deveriam andar de braços dados! Sempre!
LER. ONDE?
DESSA VEZ...
Este ano o voto ideológico não decidirá a eleição de Fortaleza. A força das máquinas falará mais alto! Os gritos das casas-grandes serão ouvidos da Serra de Aratanha!
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