sábado, maio 30, 2026

BELEZAS EBÂNICAS: BA DERRETENDO-SE POR DUAS GAROTAS NEGRAS, COM QUEM CRUZOU EM CAMOCIM

Barros Alves, para Juliana e Ju

Havia nelas

A antiga perfeição das estátuas

que os séculos não conseguem esquecer.

Não a beleza fria

das pedras imóveis,

mas a beleza viva,

quente de sangue, riso e juventude.

Caminhavam

como quem leva música nos quadris

e primavera nos ombros.

O ar parecia mais leve

quando passavam.

Ebânica pele, 

profunda como noite depois da chuva,

guardava reflexos de cobre,

de mel queimado ao sol,

de estrelas escondidas na penumbra.

E os corpos,

desenhados com a paciência

com que os rios desenham as margens,

tinham a harmonia serena

das obras que nascem perfeitas.

Mas era no sorriso

que a alma se abria

Um sorriso capaz de desarmar tristezas (...).

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