Barros Alves, para Juliana e Ju
Havia nelas
A antiga perfeição das estátuas
que os séculos não conseguem esquecer.
Não a beleza fria
das pedras imóveis,
mas a beleza viva,
quente de sangue, riso e juventude.
Caminhavam
como quem leva música nos quadris
e primavera nos ombros.
O ar parecia mais leve
quando passavam.
Ebânica pele,
profunda como noite depois da chuva,
guardava reflexos de cobre,
de mel queimado ao sol,
de estrelas escondidas na penumbra.
E os corpos,
desenhados com a paciência
com que os rios desenham as margens,
tinham a harmonia serena
das obras que nascem perfeitas.
Mas era no sorriso
que a alma se abria
Um sorriso capaz de desarmar tristezas (...).
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