quinta-feira, julho 30, 2026

UM CLÁSSICO DO CANCIONEIRO POPULAR

"LÁGRIMAS DO PASSADO", de Moacir Laurentino e Sebastião da Silva

Eu suplico a Deus infinito

Nesta prece que vivo a rogar

Estou longe do meu pé de serra

Sentindo saudade, sem poder voltar!

-

Afastei-me de lá muito novo

Por não ter outro meio pra viver

Minha terra tornou-se caipora

Jogou-me pra fora pra me ver sofrer!

-

Destinei-me a vagar pelo mundo

Uma lágrima em meu rosto desceu

Acabou-se a minha alegria

E o desgosto em meu peito bateu!

-

Viajei avistando a morada

Fui levando a separação

Dividindo as minhas passadas

E duas espadas no meu coração!

-

Com três anos resolvi voltar

A procura de mamãe querida

Ao chegar encontrei a morada

Deteriorada e ela falecida!

-

Nem um trapo se quer encontrei

E uma veste pra me consolar

Por lembrança tinha sepultura

Cheio de amargura fui lhe visitar!

-

Soluçando choroso, dizia:

- Minha mãe minha mãe onde estais?

Foste tu que enxugaste o meu pranto

E o hoje neste canto enxugas jamais!

-

E sozinho lá passei a noite

Sem querer companhia de alguém

Soluçando e derramando prantos

Quem me visse chorava também!

-

E saindo la do cemitério

Fui parar na antiga morada

Vi que a casa me denunciava

A lembrança de mamãe amada!

-

Encostei me em uma baraúna

Sombreada, que tinha o terreiro

Soluçando baixinho dizia:

- Baraúna, do meu desespero

Foste tu por mamãe tão zelada

E hoje dela não temos roteiro!

-

Lentamente o vento soprava

A ramagem com frio, entre o açoite

Nisto veio uma brisa mansinha

Me ajudando fazer o pernoite

E a baraúna embalava os galhos

Me banhando com lágrimas da noite!

-

Um xexéu que saudoso, cantava

Despertou-me a lembrança de outrora

Nisto veio o claro do dia

Expulsando a noite pra fora

Olhei triste para baraúna

Despedi-me dela e fui embora!

-

Eu termino com lágrimas nos olhos

E saudades no meu coração

E ao povo da minha terra

Eu dedico esta triste canção

E ao povo da minha terra

Eu dedico esta triste canção!

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