"LÁGRIMAS DO PASSADO", de Moacir Laurentino e Sebastião da Silva
Eu suplico a Deus infinito
Nesta prece que vivo a rogar
Estou longe do meu pé de serra
Sentindo saudade, sem poder voltar!
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Afastei-me de lá muito novo
Por não ter outro meio pra viver
Minha terra tornou-se caipora
Jogou-me pra fora pra me ver sofrer!
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Destinei-me a vagar pelo mundo
Uma lágrima em meu rosto desceu
Acabou-se a minha alegria
E o desgosto em meu peito bateu!
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Viajei avistando a morada
Fui levando a separação
Dividindo as minhas passadas
E duas espadas no meu coração!
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Com três anos resolvi voltar
A procura de mamãe querida
Ao chegar encontrei a morada
Deteriorada e ela falecida!
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Nem um trapo se quer encontrei
E uma veste pra me consolar
Por lembrança tinha sepultura
Cheio de amargura fui lhe visitar!
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Soluçando choroso, dizia:
- Minha mãe minha mãe onde estais?
Foste tu que enxugaste o meu pranto
E o hoje neste canto enxugas jamais!
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E sozinho lá passei a noite
Sem querer companhia de alguém
Soluçando e derramando prantos
Quem me visse chorava também!
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E saindo la do cemitério
Fui parar na antiga morada
Vi que a casa me denunciava
A lembrança de mamãe amada!
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Encostei me em uma baraúna
Sombreada, que tinha o terreiro
Soluçando baixinho dizia:
- Baraúna, do meu desespero
Foste tu por mamãe tão zelada
E hoje dela não temos roteiro!
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Lentamente o vento soprava
A ramagem com frio, entre o açoite
Nisto veio uma brisa mansinha
Me ajudando fazer o pernoite
E a baraúna embalava os galhos
Me banhando com lágrimas da noite!
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Um xexéu que saudoso, cantava
Despertou-me a lembrança de outrora
Nisto veio o claro do dia
Expulsando a noite pra fora
Olhei triste para baraúna
Despedi-me dela e fui embora!
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Eu termino com lágrimas nos olhos
E saudades no meu coração
E ao povo da minha terra
Eu dedico esta triste canção
E ao povo da minha terra
Eu dedico esta triste canção!
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